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Quando utilizar cada lúmen do cateter CVC? Organização das infusões na prática clínica 

Quando utilizar cada lúmen do cateter CVC? Organização das infusões na prática clínica
Quando utilizar cada lúmen do cateter CVC? Organização das infusões na prática clínica

Entenda como organizar os lúmens do cateter CVC para infusões contínuas, medicamentos incompatíveis, coleta sanguínea e terapia infusional segura. 

Nos ambientes de terapia intensiva, o cateter CVC multi lúmen distribui diferentes terapias em canais internos independentes. Cada lúmen cumpre uma função específica, evitando que fármacos incompatíveis se encontrem dentro do mesmo canal. A Abenti, Associação Bras de Enfermagem e Terapia Intensiva, elaborou uma nota técnica em parceria com a AMIB. O documento orienta como organizar os lúmens do cateter CVC para infusões contínuas, medicamentos incompatíveis, coleta sanguínea e terapia infusional segura. Assim, esse dispositivo deixa de ser apenas um acesso vascular e passa a funcionar como uma ferramenta de gestão terapêutica.

Para gestores hospitalares e equipes de suprimentos, a escolha do modelo correto influencia diretamente a segurança da terapia intravenosa. Além disso, a padronização da organização dos lúmens reduz manipulações desnecessárias do dispositivo, fator associado ao risco de infecção primária de corrente sanguínea. Consequentemente, hospitais que investem em protocolos claros de uso do cateter CVC diminuem eventos adversos evitáveis e otimizam o tempo da equipe assistencial.

Segundo a Abenti, não existe recomendação universal que obrigue um lúmen específico a um único tipo de fármaco. Cada instituição deve padronizar o uso do dispositivo considerando calibre, número de vias e perfil terapêutico do paciente crítico. Nesse sentido, este artigo detalha o papel do lúmen proximal, distal e medial. Também aborda as boas práticas de compatibilidade físico-química recomendadas pela Abenti para o cateter CVC.

Lúmen Proximal: Administração Intermitente e Coleta Sanguínea

O lúmen proximal do cateter CVC destina-se, preferencialmente, à administração intermitente de medicamentos compatíveis ou a infusões menos críticas. Segundo a Abenti, esse canal também permite a coleta sanguínea, desde que a instituição autorize o procedimento por essa via. Dessa forma, o proximal funciona como uma via versátil para demandas pontuais da rotina assistencial.

Quando dois medicamentos incompatíveis precisam usar o mesmo lúmen, a equipe administra um fármaco por vez. Entre as infusões, aplica-se sempre um flush de solução salina a 0,9%. Essa infusão sequencial, aliada ao fluxo pulsátil de flushing, reduz o risco de precipitação dentro do canal. Além disso, a Abenti recomenda registrar essa organização no prontuário e sinalizar visualmente a linha, evitando trocas acidentais entre os lúmens do dispositivo.

A desinfecção do hub antes de qualquer acesso permanece indispensável, com fricção mínima de 15 segundos e tempo de secagem completo. Ainda assim, o uso do lúmen proximal não dispensa a avaliação diária da real necessidade de manutenção do cateter.

Lúmen Medial: Infusão Contínua de Sedoanalgésicos

Quando disponível, o lúmen medial do cateter CVC recebe infusões contínuas de medicamentos menos críticos, como fármacos sedoanalgésicos. Ainda segundo o documento da Abenti, mais de um sedoanalgésico pode compartilhar esse canal, desde que exista compatibilidade físico-química comprovada entre eles.

Dessa forma, a organização em três lúmens distintos — proximal, medial e distal — reduz a manipulação do dispositivo. Além disso, favorece maior previsibilidade do cuidado, já que cada canal mantém uma finalidade previamente designada ao longo da internação, sempre que possível.

Por outro lado, faltam evidências científicas que sustentem a infusão contínua de pequenos volumes apenas para prevenir oclusão do lúmen. Portanto, a Abenti recomenda flush conforme protocolo institucional, sem sobrecarga volêmica desnecessária ao paciente crítico.

Lúmen Distal: Fármacos Vasoativos, NPT e Medicamentos Vesicantes

O lúmen distal do cateter CVC possui, em geral, o maior calibre entre as vias disponíveis. Por isso, a Abenti orienta seu uso preferencial para infusões contínuas de alto risco. Isso inclui fármacos vasoativos, nutrição parenteral total e medicamentos vesicantes ou irritantes.

Esse lúmen libera as soluções próximo à junção cavo-atrial, região de fluxo sanguíneo elevado. Consequentemente, a diluição ocorre com rapidez, reduzindo a irritação endotelial e o risco de precipitação do fármaco. Nesse cenário, o alto fluxo sanguíneo local também diminui a influência das infusões administradas pelos lúmens medial e proximal.

Fármacos vasoativos, como a noradrenalina, e a nutrição parenteral total exigem via dedicada no cateter CVC. Assim, a equipe evita a coadministração destes medicamentos com antibióticos, eletrólitos concentrados ou outras soluções potencialmente incompatíveis pelo mesmo canal. Antes de reutilizar um lúmen que continha infusão contínua de vasoativo, a aspiração prévia do resíduo evita bolus inadvertidos de fármaco. Essa conduta protege o paciente durante a nova administração.

Compatibilidade Físico-Química e a Configuração dos Lúmens do Cateter

A compatibilidade físico-química entre os medicamentos deve ser analisada em conjunto com a configuração dos lúmens do cateter venoso central. Isso porque os diferentes diâmetros internos não são apenas uma característica construtiva: eles influenciam o desempenho hidráulico de cada via e ajudam a organizar infusões simultâneas de acordo com suas necessidades clínicas.

Em cateteres multilúmen, cada via possui um calibre específico e desemboca em um ponto distinto da extremidade distal. Essa configuração permite destinar determinados lúmens para infusões contínuas, medicamentos vasoativos, nutrição parenteral ou soluções que exigem maior estabilidade, reduzindo o risco de contato entre substâncias incompatíveis antes de atingirem a circulação sanguínea.

Mesmo com essa separação física, a administração simultânea de medicamentos incompatíveis exige avaliação criteriosa. A equipe deve verificar a compatibilidade físico-química considerando fatores como diluente, concentração, tempo de infusão e recomendações do fabricante ou de referências especializadas. Quando houver incompatibilidade conhecida ou incerteza, a conduta mais segura continua sendo utilizar um lúmen exclusivo ou realizar infusão sequencial com flush adequado entre os medicamentos.

Cateteres CVC e o Portfólio da Biomedical

A Biomedical atua desde 1979 na fabricação de dispositivos médico-hospitalares. A empresa disponibiliza uma linha completa de cateteres CVC uni lúmen, duplo lúmen e triplo lúmen, todos com registro na ANVISA. A Biomedical fabrica esses modelos em poliuretano termossensível, biocompatível e radiopaco. Além disso, o conteúdo Cateter venoso central: qual o papel de cada lúmen? detalha ainda mais a função de cada canal. Já o material sobre as principais indicações de acesso venoso central reforça a versatilidade clínica desses modelos.

Gestores de suprimentos e equipes de compras hospitalares podem conhecer as especificações completas de cada modelo em bio.com.br. A equipe comercial da Biomedical oferece suporte técnico especializado para orçamentos e para a escolha do dispositivo mais adequado a cada perfil assistencial.

~*ATENÇÃO

As informações apresentadas neste blog têm caráter informativo e se baseiam em literatura e fontes institucionais confiáveis. Elas não substituem o julgamento, treinamento ou decisão de um profissional de saúde habilitado.

Fontes Consultadas

Associação Brasileira de Enfermagem em Terapia Intensiva (ABENTI), em parceria com a AMIB Nota Técnica 01/2026, consultada para as orientações sobre organização dos lúmens, prevenção de incompatibilidades medicamentosas e manejo seguro do acesso venoso central.
https://abenti.org.br/wp-content/uploads/2026/03/NT-ABENTI-0126.pdf

ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária Consultada para o protocolo de prevenção de infecção primária da corrente sanguínea associada a dispositivos de acesso vascular. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/Protocolo1PrevenodeIPCSFINAL.pdf

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