Fabricante nacional de produtos médico-cirúrgicos

Silicone Grau Médico

Pronúncia: si-li-CO-ne
/fonética aproximada: si.liˈko.ni/ 

O silicone grau médico é um polímero orgânico silícico projetado para contato prolongado com tecidos e fluidos corporais. Sua estrutura molecular une átomos de silício (Si) e oxigênio (O) em cadeia estável, com grupos metila (CH₃) nas posições laterais. O nome técnico é polidimetilsiloxano (PDMS). A denominação “grau médico” — usada como sinônimo de “grau cirúrgico” — diferencia esse polímero de versões industriais: ela indica que o material passou por purificação específica e avaliação biológica exigidas por organismos regulatórios como a ANVISA.

A princípio, a medicina incorporou o silicone de forma sistemática a partir da década de 1950. Circuitos de oxigenação extracorpórea, próteses e sistemas de drenagem foram as primeiras aplicações documentadas. Já nas décadas seguintes, o polímero expandiu seu alcance para cateteres, tubagens e implantes, tornando-se o material de referência para dispositivos de longa permanência em contato com o organismo.)

[Imagem meramente ilustrativa]

Estrutura Química e Estabilidade Molecular

A cadeia Si-O do silicone grau médico apresenta energia de ligação em torno de 452 kJ/mol. Esse valor supera os 346 kJ/mol da ligação C-C, presente em polímeros convencionais como polietileno e PVC. Assim, essa diferença explica a alta resistência térmica do material e sua baixa degradação em ambientes oxidativos.

Os grupos metila laterais conferem caráter hidrofóbico à superfície. Essa característica reduz a adesão de proteínas plasmáticas e dificulta a formação de biofilme em contato com sangue e fluidos corpóreos. Durante a fabricação, catalisadores de platina ou peróxido promovem a reticulação das cadeias — processo que o fabricante controla para ajustar o módulo de elasticidade conforme a aplicação clínica pretendida. 

O Que Define o Grau Médico

A diferença entre silicone industrial e silicone grau médico não está na fórmula base, mas nos processos de purificação pós-polimerização e nos testes de biocompatibilidade exigidos por norma. A ISO 10993 estabelece o protocolo de avaliação biológica para dispositivos para área da saúde, incluindo testes de citotoxicidade, sensibilização, irritação e toxicidade sistêmica aguda. Para dispositivos implantáveis, a norma exige ainda avaliações de genotoxicidade e carcinogenicidade. 

No Brasil, a ANVISA regulamenta esses materiais. A norma exige comprovação de biocompatibilidade para todo dispositivo de contato prolongado com tecidos internos. O cumprimento dessas exigências é o que autoriza o uso da denominação “grau médico” ou “grau cirúrgico” na especificação técnica do material. 

Propriedades Físicas Relevantes para Uso Clínico

Além disso, o silicone médico combina propriedades que poucos polímeros isolados oferecem de forma equivalente. A flexibilidade é elevada em toda a faixa de temperatura clínica, sem necessidade de plastificantes — compostos que, em outros materiais, representam risco toxicológico.

O comportamento termossensível tem implicação direta no desempenho intravascular. Em temperatura ambiente, o silicone grau médico conserva rigidez suficiente para a introdução do dispositivo. Após o contato com o corpo, a temperatura de 37°C aumenta a maleabilidade do material. Nos cateteres de hemodiálise de longa permanência SPLIT, essa propriedade reduz o risco de dobramento e melhora o conforto do paciente durante o uso prolongado.

Por isso, a superfície lisa e regular do silicone grau médico diminui a agregação plaquetária. Esse atributo é crítico em dispositivos de acesso vascular, onde a formação de trombo compromete o funcionamento do cateter e eleva o risco de complicações sistêmicas.

[Imagem meramente ilustrativa]

Radiopacidade: Visibilidade sob Imagem Radiológica

O silicone puro é radiotransparente. Para aplicações que exigem visualização por raio-X ou fluoroscopia, os fabricantes incorporam agentes de contraste radiológicos, como por exemplo sulfato de bário (BaSO₄), à matriz polimérica. A quantidade e a distribuição desse agente determinam o nível de contraste obtido durante o procedimento.

A visualização completa através de radiografia reduz riscos na implantação e na verificação de rotina.

Histórico Regulatório e Consolidação Clínica

O FDA (Food and Drug Administration, órgão regulatório dos Estados Unidos) formalizou a exigência de avaliação de biocompatibilidade para silicones em dispositivos implantáveis na década de 1990. Esse período consolidou a distinção normativa entre grau industrial e grau cirúrgico e impulsionou o desenvolvimento de protocolos analíticos específicos para polímeros de uso médico.)

Desde então, fabricantes de cateteres, drenos e enxertos submetem cada lote à avaliação de pureza e aos requisitos da ISO 10993 antes da liberação comercial. Além disso, esse rigor transformou o silicone biocompatível no polímero de referência para dispositivos de longa permanência — posição que mantém até hoje em aplicações intravasculares, peritoneais e implantáveis.

A Biomedical EPMC aplica silicone grau médico com rastreabilidade de material em toda a linha de cateteres que utilizam tal material.

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